Reciclar também é lei
Coleta seletiva, reaproveitamento de resíduos e redução do uso de papel: nova rotina no Fórum de Ribeirão Preto

Reciclar também é lei

Maior unidade do Judiciário da região, o Fórum de Ribeirão Preto implantou coleta seletiva e fortaleceu ações de economia circular

A história do pó de café parece, à primeira vista, um detalhe sem importância na rotina do Fórum de Ribeirão Preto, mas ajuda a explicar uma mudança de cultura que vem ganhando espaço entre magistrados, servidores e visitantes. Após o abastecimento de centenas de xícaras diariamente, desde o início do ano, o resíduo deixa de seguir para o lixo comum e passa a ser reaproveitado como adubo para plantas. As cascas de frutas têm destino semelhante e são encaminhadas para uma horta comunitária da cidade. O gesto simboliza uma política mais ampla de descarte consciente e economia circular implantada na maior unidade do Judiciário na região. 


Com cerca de 17 mil m², 47 juízes e aproximadamente 700 servidores, o Fórum produz uma quantidade significativa de resíduos diariamente. Em maio, foram mais de 600 kg de material encaminhado para reciclagem.


Segundo o juiz diretor do Fórum, Sylvio Ribeiro de Souza Neto, a preocupação ambiental não é nova, mas a iniciativa ganhou força recentemente com o apoio do Tribunal de Justiça de São Paulo, que forneceu os equipamentos necessários para a separação dos resíduos e viabilizou um acordo com uma cooperativa responsável pela coleta e reciclagem dos materiais. “A preocupação com o meio ambiente sempre existiu. Nós já tínhamos essa intenção, mas faltavam condições para operacionalizar o armazenamento e a retirada dos recicláveis. Agora, conseguimos implementar definitivamente esse trabalho”, afirma. 

O juiz Sylvio Ribeiro de Souza Neto afirma que a conscientização é aprimorada com a prática

 

Espalhados pelo prédio, os recipientes específicos para coleta seletiva vieram acompanhados de cartazes informativos e de um trabalho contínuo de orientação. “Não existe resistência das pessoas. Existe aprendizado. Muitas vezes o cidadão não sabe, por exemplo, que uma embalagem precisa estar sem resíduos de alimento para ser reciclada. É um processo de conscientização que acontece aos poucos”, explica o magistrado. 


A iniciativa integra uma política institucional do Tribunal de Justiça paulista, alinhada às diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que incentiva práticas sustentáveis em todas as unidades do Judiciário. 

 

TEMPOS MODERNOS


Outra mudança importante aconteceu longe das lixeiras. A digitalização dos processos reduziu drasticamente o consumo de papel e transformou a rotina do prédio. Há pouco mais de uma década, cerca de 3 mil pessoas circulavam diariamente pelo Fórum. Hoje, impulsionado pelo processo eletrônico, pelo teletrabalho e pelos atendimentos virtuais, esse número caiu para aproximadamente 800, reduzindo também a necessidade de impressão de documentos e liberando espaços antes ocupados por arquivos físicos. 


Para o juiz, entretanto, a estrutura é apenas parte da solução. O principal resultado esperado depende da mudança de comportamento das pessoas. “O projeto já está implantado e funcionando, mas acredito que os melhores frutos virão com o tempo, conforme essa conscientização for crescendo. É como acontece dentro de casa. Às vezes a gente mesmo percebe que descartou algo no lugar errado e aprende para não repetir. Esse processo é permanente”, conclui. 

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