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A Organização Mundial de Saúde descarta associação da doença com a vacina contra a Covid-19

Sequela da Covid-19 e tipo de adenovírus podem ser causas de hepatite misteriosa, segundo cientistas

No Brasil, 41 casos suspeitos são monitorados pelo Ministério da Saúde

A origem desconhecida da hepatite aguda, que acomete centenas de crianças em ao menos 20 países, intriga os cientistas, que tentam descobrir quais são as causas destes casos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há ao menos 348 casos suspeitos e outros 70 sobre investigação. No Brasil, 41 casos suspeitos em nove estados são monitorados pelo Ministério da Saúde.

Algumas hipóteses levam em conta a presença de um tipo específico de adenovírus (41F) – vírus causador do resfriado – em amostras de vários dos infectados. Porém, cientistas britânicos não descartam outras hipóteses, entre as quais uma possível sequela pós Covid-19 ou a ausência do contato com agentes infecciosos pelo isolamento da pandemia, que teria deixado as crianças mais vulneráveis na reabertura das atividades, citam cientistas à revista científica The Lancet. A hepatite aguda não tem relação com as vacinas, ressaltou a OMS.

A causa é o adenovírus?

Em um relatório, a UKHSA, a primeira agência governamental a detectar os casos da hepatite aguda, descobriu que 40 de 53 casos positivos para a hepatite também continham um adenovírus. A tipagem preliminar foi consistente com um subtipo: 41F. 

Segundo a OMS, houve no passado alguns casos de hepatite viral grave em crianças imunocomprometidas. No entanto, em todos os casos relatados recentemente, as crianças eram saudáveis e não imunocomprometidas. 

“Se você tivesse me pedido há duas semanas para escrever uma lista de vírus que causam hepatite, eu não teria colocado adenovírus na lista”, disse professor de Virologia da Universidade de Nottingham, Will Irving, à publicação.

Sequela pós Covid-19 é investigada

Outra hipótese levantada é de que a doença poderia ter relação com a exposição destas crianças à Covid-19, já que alguns dos pacientes já haviam sido infectados.

O estudo relatou que 10 crianças com hepatite aguda testaram positivo para o SARS-CoV-2 nas últimas semanas ou na admissão hospitalar (de 61 crianças com dados disponíveis). Mas como a prevalência geral do SARS-CoV-2 é muito alta nos países britânicos, no momento não há evidências de uma nova variante que pode ser a causa específica.

“Talvez, a infecção prévia pelo SARS-CoV-2 esteja fazendo algo com o sistema imunológico, de modo que, quando encontra o que seria uma infecção viral perfeitamente normal e trivial, está desencadeando uma resposta prejudicial ao fígado”, disse Irving. 

Outra possibilidade é que as crianças pequenas não tiveram a exposição habitual a esses vírus durante a pandemia de Covid-19 e, portanto, agora possam estar apresentando respostas imunes graves. 

A hipótese é reforçada no Brasil, onde a cobertura vacinal infantil está cada vez mais baixa. A falta de imunização, associada à ausência de exposição a agentes infecciosos, contribui para uma maior vulnerabilidade das crianças à Covid-19 e outras doenças, afirmou a pesquisadora do Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas do Butantan, Luciana Leite.

Toxina no ambiente ou nos alimentos

A ideia de uma toxina de ambiente ou de alimentos não está sendo descartada pela UKHSA, que realiza estudos epidemiológicos que envolvem a avaliação retrospectiva do ambiente, demografia e ingestão alimentar das crianças. 

“É possível que alguns alimentos tenham sido contaminados com alguma coisa, mas ainda não há evidências disso”, disse Irving. 

Com alguns adenovírus frequentemente detectados em regiões de lagos ou mares, a UKHSA também está realizando um estudo para analisar retrospectivamente as águas residuais onde os casos são relatados. Além disso, a UKHSA está fazendo o sequenciamento de todo o genoma de várias amostras para permitir uma categorização adicional de quaisquer adenovírus envolvidos.

*Com informações do Instituto Butantan 

Foto: Pixabay (foto ilustrativa)

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