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Blog Gastronomia

João Roberto la.pyramide@uol.com.br
Médico formado pela USP e consultor em food & wine styling and phtography
  • Garnacha/ Grenache

    Postado em 17 de Maio de 2012 às 12:05 na categoria Na minha cozinha



    Tempranillo é o primeiro nome que nos ocorre quando nos referimos aos vinhos tintos clássicos da Espanha. Apesar disso, esta variedade de uva tinta não é a mais cultivada, e sim a Garnacha. Seu berço seria a ilha da Sardegna/Sardinia onde foi batizada com o nome de Cannonau e daí teria se estendido para a região de Aragon, no Nordeste da Espanha, e, posteriormente, para o Rhône Sul, Languedoc, Provence, na França, e Austrália, onde é conhecida como Grenache.

    Apesar de ter seu nome pouco conhecido e divulgado, a Garnacha/Grenache ocupa o segundo lugar entre as variedades tintas mais cultivadas ao redor do mundo, produzindo vinhos leves tanto na cor quanto nos taninos, alto teor alcoólico, baixa acidez e presença constante de especiarias como a pimenta e canela.

    Na região catalã do Priorat, onde predomina um solo rochoso com características especiais (Llicorella/Ardosia), a Garnacha se comporta de maneira singular e única em relação às outras regiões onde é cultivada. Os vinhos do Priorat são de um vermelho intenso, aromas e sabores carregados de frutas vermelhas, alto teor alcoólico e pertencem à classe dos badalados “cult wines”. No Rhône Sul, a Grenache tem uma participação importante na elaboração dos vinhos Châteauneuf-du-Pape.

    São raros os vinhos elaborados somente com a variedade Garnacha/Grenache. O que encontramos com frequência são assemblages com a participação de uma ou mais variedades tintas, como a Mazuelo, Mourvèdre/Mataro, Cinsault, Shiraz/Syrah.

    Um vinho tinto simples elaborado com Garnacha e Mazuelo merece a companhia de alho assado em azeite de oliva com ramos de alecrim. Com o auxílio de uma faca bem afiada, corte e descarte o tampo de 12cabeças de alho.Coloque-as em uma assadeira pequena com a parte cortada virada para cima, intercalando ramos de alecrim frescos e rodelinhas de pimenta vermelha dedo de moça. Regue generosamente com azeite de oliva, pulverize com um toque de sal, cubra hermeticamente a assadeira com uma folha de papel alumínio e leve ao forno a 180 graus.

    Depois de decorridos 60 minutos, retire a folha de alumínio e mantenha a assadeira no forno até que as cabeças do alho fiquem bem douradas e macias. Distribua as cabeças do alho assado em pratos individuais, esmague os dentes com um garfo, regue com o azeite da assadeira e aprecie com fatias de pão e uma taça de um picante e aromático Garnacha/Mazuelo espanhol. Um bom final de semana para todos nós.

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  • Marmelo

    Postado em 10 de Maio de 2012 às 11:05 na categoria Na minha cozinha

    Seu perfume, quando maduro, é original, intrigante, envolvente e, ao mesmo tempo, um convite para mordê-lo e sentir seu sabor Ele faz parte da família das maçãs e das peras, mas não é apropriado para ser saboreado desta maneira e, sim, sob a forma de doces em uma calda de açúcar, geleias e compotas.

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  • Vinho e mostarda - 2

    Postado em 04 de Maio de 2012 às 18:05 na categoria Vinho: Ciência e Arte

    Nada como elaborar um prato em que o molho preparado com mostarda funciona como um “elemento ponte” que, como já vimos anteriormente, é aquele adicional que une o vinho ao ingrediente principal, desencadeando um processo conhecido como harmonização.

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  • Batatas & abóboras

    Postado em 27 de Abril de 2012 às 14:04 na categoria Na minha cozinha


    Uma combinação simples de batatas, abóbora, cebolas, tomates, pimentas vermelhas ardidas, ervas aromáticas e azeite de oliva, finalizada em uma frigideira, é ideal para ser apreciada com peixes, aves, carnes vermelhas grelhadas ou do tipo caça, como, por exemplo, um coelho de panela. A preparação das batatas e da abóbora é feita em somente duas etapas com o auxílio do forno de micro-ondas e uma frigideira.

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  • Vinho e mostarda - 1

    Postado em 20 de Abril de 2012 às 10:04 na categoria Vinho: Ciência e Arte

    A adição de um vinho para ser apreciado com um ou mais tipos específicos de alimentos tem a única e precípua finalidade de realçar as qualidades de cada um dos elementos componentes que, ao interagirem entre si de uma maneira positiva, geram uma sensação agradável e contínua de bem-estar. No momento em que esta sensação positiva é desencadeada e se prolonga até o final do procedimento, dizemos que está ocorrendo uma harmonização. 

    A harmonização é um processo dinâmico e contínuo que independe do número dos elementos participantes, mas seria desejável que tivéssemos um conhecimento mais profundo de cada um deles para obtermos o resultado desejado. Na harmonização de vinhos com comida, um elemento que tem uma participação fundamental e que, na maioria das vezes, não levamos em consideração, é o denominado “elemento ponte”, ou seja, aquele ingrediente adicional que une o vinho ao elemento principal do prato a ser elaborado e, posteriormente, apreciado. Um bom exemplo que escolhemos para ser o nosso “elemento ponte” em um ensaio sobre este tipo de harmonização, condimento pungente utilizado generosamente na culinária universal, é a mostarda.

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  • Cordeiro e mostarda

    Postado em 12 de Abril de 2012 às 14:04 na categoria Na minha cozinha


    Ser pungente é uma ação que predomina no olfato em relação ao paladar, ao mesmo tempo irritante e agradável, exercida por determinados tipos de condimentos e de temperos, como aqueles preparados com as sementes da mostarda mais utilizada no Ocidente, a amarela –“Sinapsis alba” ou” Brasica hirta”.

    O composto ativo presente nas sementes desta mostarda é a sinalbina que, uma vez transformada em “farinha”, libera a sua pungência em contato direto com água, vinagre ou cerveja, transformando-se na pasta disponível para consumo imediato. A mostarda já em forma de condimento não tolera altas temperaturas e perde suas características originais. Portanto, deve ser adicionada a molhos ou a assados imediatamente antes de serem apreciados.

    Na minha cozinha, após várias tentativas, contornamos este problema adicionando mel de abelha puro ao tempero preparado com a mostarda para assarmos um pernil de cordeiro, com um resultado surpreendente. Experimente.

    Prepare um tempero com 3 colheres de sopa de manteiga, 3 de azeite de oliva, 3 de mostarda amarela em pasta e 3 de mel puro de abelhas. Acrescente 2 colheres de sopa de alecrim fresco picadinho e sal. Misture bem e reserve.

    Besunte um pernil de cordeiro de aproximadamente 3 kg com uma metade do tempero acima. Coloque-o em uma assadeira pesada e leve ao forno bem quente. Decorridos 30 minutos, vire o pernil e besunte com o restante do tempero; acrescente no fundo da assadeira batatas com a superfície cortada virada para baixo e cebolas em gomos. Asse por aproximadamente 45 minutos, quando o cordeiro deverá estar dourado e crocante por fora e rosado por dentro. Bon appétit! 

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  • CHENIN BLANC

    Postado em 05 de Abril de 2012 às 14:04 na categoria Vinho: Ciência e Arte


    Aromas de flores silvestres e especiarias se abrem em sabores igualmente intensos e enchem a boca logo ao primeiro contato com nossas papilas gustativas e sensitivas, presença mineral que harmoniza logo de início com uma desejável e equilibrada acidez natural. Esta descrição ressalta as qualidades dos vinhos brancos elaborados com a Chenin Blanc.

    Nativa do Vale do Loire, a Chenin Blanc produz desde vinhos intensamente secos até excelentes vinhos de sobremesa nesta bela região da França, famosa por sua culinária e seus imponentes e belos castelos construídos, em sua maioria, para abrigar a dinastia francesa. Apesar de ser uma variedade prolífera, a Chenin Blanc sofre acentuada diminuição em sua produção nos anos em que temperaturas muito baixas ocorrem no Vale do Loire, onde as regiões de Vouvray e Savennières, nas mãos de seus pequenos produtores, fazem alguns dos melhores vinhos do Velho Mundo. 

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