No dia do Orgulho LGBT, Prefeitura de Ribeirão recebe projeto de apoio às vítimas de homofobia
Feito aos moldes dos existentes nas grandes capitais, Centro de Cidadania reintegrará e acolherá vítimas de LGBTfobia

No dia do Orgulho LGBT, Prefeitura de Ribeirão recebe projeto de apoio às vítimas de homofobia

Além do Centro de Cidadania, o terceiro setor também atua na cidade no combate ao preconceito

No dia 28 de junho é celebrado o Dia do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).  A população, que ainda sofre muito preconceito em todo o País, consegue, aos poucos, importantes conquistas para ter os mesmos direitos e o respeito que qualquer pessoa heterossexual tem. Nem mais, nem menos.

Aproveitando a data, representantes da causa LGBT de Ribeirão Preto entregaram nas mãos do prefeito Duarte Nogueira (PSDB), na manhã desta quinta-feira, 28, o projeto para a criação de um Centro de Cidadania LGBT.

Segundo Fábio de Jesus, um dos autores do projeto, no dia 17 de maio, o Dia Internacional Contra a LGBTfobia, foi realizado um ato solene na sede da prefeitura em apoio à comunidade. Na ocasião, os ativistas cobraram do Executivo a criação de um centro de apoio aos moldes do que as grandes capitais possuem.

Com isso, representantes de Ribeirão Preto visitaram o Centro de Cidadania LGBT, em São Paulo, e elaboraram um projeto que atenda às necessidades do município. Segundo Jesus, “o Centro tem uma equipe para atender todos os casos de preconceito e violação dos direitos da comunidade LGBT. Teremos apoio de advogados, psicólogos, enfermeiros e assistentes sociais”.

O Centro também terá como função reinserir pessoas marginalizadas na sociedade. Com o apoio de “empresas amigas dos LGBT”, quem procurar o local poderá ser encaminhado para entrevistas de emprego. A intenção é reintegrar e acolher, de todas as formas, a população que sobre LGBTfobia em Ribeirão Preto.

Por fim, Jesus elogia a postura da prefeitura em se abrir para o diálogo com a comunidade LGBT. “O Nogueira foi o primeiro prefeito da cidade a receber a comunidade LGBT para uma conversa dessas. Nenhum dos outros prefeitos, e nem prefeita, fizeram isso. Sentimos que fomos retirados de um porão”, conclui. 

A administração analisará o projeto, mas, ainda, não há prazo para a concretização do Centro.

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Terceiro setor presente

O terceiro setor também dá suporte à comunidade LGBT ribeirãopretana. Além de contribuir para o encaminhamento da emissão do nome social, ao tratamento psicológico e hormonal, a ONG Asgattas busca reintegrar indivíduos que estão na prostituição.

Quem chega à ONG passa por uma rigorosa triagem. Com os dados pessoais, a organização procura entender os problemas daquela pessoa e a melhor forma de ajudar. “Somos uma ponte e encaminhamos quem nos procura com um problema ao poder público e às empresas”, explica Washington Ricardo, presidente da Asgattas.

Para Ricardo, o Dia do Orgulho LGBT tem um significado histórico muito importante a esta parcela da população em todo mundo. “Afinal de contas, ela marca o momento em que o movimento LGBT tomou forma e organização no mundo todo. Antes disso, existem relatos de militantes datados desde o século XIX”, comenta o presidente da ONG.

Ele também relembra que foi com a Revolta de Stonewall, em 28 de junho de 1969 nos Estados Unidos, que deu início ao movimento. Stonewall era um bar frequentado pelo público gay na Califórnia, que foi alvo de uma manifestação violenta após uma ação truculenta – e vista como homofóbica – da polícia local.

“Com isso, os LGBTs começaram a se organizar politicamente em busca de seus direitos, dando início ao movimento como conhecemos hoje. O que culminou na primeira parada do orgulho LGBT em 1970, na Califórnia”, explica Ricardo.

“Diante da relevância desses fatos, hoje é um dia não só de celebrar, mas de repensar a atuação de cada indivíduo como peça fundamental na luta pelos direitos da população LGBT. Atualmente, vemos retrocessos significativos e o impedimento do avanço de nossas pautas no campo político”, critica o presidente da ONG.


Foto: Pixabay

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