Especial mulheres: Clara da Silva

Especial mulheres: Clara da Silva

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Desavisados podem enxergar subserviência na forma como Maria Clara Machado da Silva sempre conduziu por ambientes públicos, com paciência e cuidado, o marido com deficiência visual, Rafael Silva, que foi vereador por oito anos na Câmara de Ribeirão Preto e atualmente cumpre o oitavo mandato como deputado estadual. Basta chegar mais perto, porém, para entender que se trata, ali, de uma parceria consolidada por décadas de união – de vidas, de ideais, de objetivos em comum.


Dona Clara, como é mais conhecida publicamente, está longe de ser apenas uma coadjuvante na família que formou com o político ribeirão-pretano – inclui os quatro filhos, Rafael Antônio da Silva Junior (nascido em 1971); Rodrigo José da Silva (1975); Raquel Cristina da Silva Coutinho (1977) e o caçula, Ricardo Augusto Machado da Silva (1985), atual prefeito de Ribeirão Preto.


Formada em Filosofia, a jovem Clara já participava de movimentos estudantis, sociais, políticos e religiosos antes mesmo de conhecer o atual marido, em uma quermesse, nos idos de 1966 (decerto a identificação do casal terá se dado também por essa via). Continuou após casarem-se, em 22 de março de 1970, e até hoje ela é figura presente em eventos filantrópicos, ações de caridade, reuniões beneficentes e religiosas, como Encontro de Casais e Cursilhos de Cristandade.

 


“ACREDITO MUITO NA FORÇA DAS MULHERES. ELAS TÊM CORAGEM, SENSIBILIDADE E CAPACIDADE DE TRANSFORMAR A REALIDADE”



“Quando começamos a namorar e nos casamos, o Rafael enxergava normalmente. Ele perdeu a visão depois de cerca de 16 anos de casamento. Nesse período, já conhecia todos os filhos, viu os rostinhos de cada um deles. Foi uma mudança difícil, mas seguimos juntos, enfrentando tudo com união”, conta, sem qualquer resquício de lamento. A partir de então, passou a estar presente em tudo o que ele fazia, desde o momento em que acordava até as saídas de casa. “Eu o acompanhava principalmente fora do ambiente doméstico. Era, de certa forma, os olhos dele. Dentro de casa, no entanto, ele sempre buscou manter a independência, organizando-se e realizando suas atividades com autonomia. Eu estava ali para apoiar, e ele sempre demonstrou muita força e determinação”, elogia.


Ela confessa ter ficado assustada quando o marido decidiu se candidatar pela primeira vez a vereador. Tinha receio de que fosse difícil dar conta de tudo. “Acabei gostando e participando também, dando opiniões e me envolvendo. A política entrou na nossa vida e hoje faz parte dela naturalmente”, resume.


Aos 76 anos, dona Clara se diz “muito realizada”, por ter conquistado tudo o que desejou na vida. “Meus filhos são minha maior riqueza, meus verdadeiros tesouros. Minha família, meus netos, bisnetos... tenho saúde e gratidão por tudo. Só tenho a agradecer a Deus”, derrama-se.


De sonhos ainda a realizar, cita primeiro o que deseja para todos, como boa cristã: “um mundo melhor, com mais igualdade e menos maldade, onde as pessoas tenham mais empatia umas com as outras”, reza. Também deseja que os filhos sigam bem em suas trajetórias “e que o Ricardo tenha um ótimo mandato, ajudando as pessoas e contribuindo para o desenvolvimento da cidade. Meu sonho é esse: mais justiça social e um futuro melhor para todos”, completa.


Sobre ser mulher, considera um grande desafio, mas também um orgulho. “O papel feminino é cada vez mais importante. Ainda existem desigualdades e violências que precisam ser enfrentadas. Por isso, acredito muito na força das mulheres. Elas têm coragem, sensibilidade e capacidade de transformar a realidade. A mulher é muito forte — e precisa continuar ocupando seu espaço com dignidade e respeito”, finaliza. 

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