Especial mulheres: Josimara Mendonça

Especial mulheres: Josimara Mendonça

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Natural de Ribeirão Preto, formada em Administração de Empresas com pós-graduação e especialização em Psicanálise e Inteligência Multifocal na Reconstrução da Educação, Josimara Ribeiro de Mendonça, ou Josy como é conhecida, iniciou sua caminhada focada nos números, mas a Responsabilidade Social foi um chamado. “Percebi que prosperidade só faz sentido quando compartilhada e comecei a usar ferramentas de gestão para criar valor humano”, diz.


Membro do Conselho de Administração e Diretora de Responsabilidade Social do Grupo Colorado, além de Secretária de Cultura, Turismo e Patrimônio Histórico do Município de Orlândia, na prática da liderança ela aprendeu o alcance de um ensinamento paterno. “Cresci ouvindo meu pai, Oswaldo, falar sobre a importância de ‘cuidar do que é nosso’. Para ele, ‘nosso’ não era apenas a empresa, mas as pessoas que a construíam e a comunidade que nos acolhia”, explica. Neste caminhar, sob pressão por resultados [em detrimento do social], ela precisou se apoiar em valores. “Ser fiel a mim mesma é a única forma de fazer um trabalho com sentido”, avalia.


No setor sucroenergético — historicamente masculino — enfrentou o desafio silencioso de ocupar mesas de decisão quase sempre compostas por homens. Não foi o preconceito explícito que mais a marcou, mas a solidão de ser uma das poucas vozes femininas. O desafio era ser firme sem ser dura e sensível sem ser frágil. Provar, todos os dias, que sua perspectiva não era apenas “diferente”, mas complementar e necessária. 


Seu olhar para o humano aflorou aos 16 anos, quando conviveu com 100 meninas de diferentes culturas e idiomas, em um colégio interno na Suíça. Em uma época sem internet, em que a convivência era o único elo possível, aprendeu a ser família de quem era diferente. “Foi lá que vivi o ponto de partida do meu propósito”, avalia. Conta que lá havia uma princesa africana que vivia isolada. “Era a única menina negra da escola e ninguém falava com ela. Aquilo me doía na alma”, recorda. Na formatura, Josy coreografou uma dança afro, para que ela pudesse brilhar como realeza que era. 

 


“PERCEBI QUE PROSPERIDADE SÓ FAZ SENTIDO QUANDO COMPARTILHADA E COMECEI A USAR FERRAMENTAS DE GESTÃO PARA CRIAR VALOR HUMANO”


 

Outro ponto marcante foi o nascimento dos filhos, Marcelo, Felipe e Mariana. “A vinda deles me deu uma força que eu não conhecia. A cada nascimento, eu renasci. Minha maior conquista na vida é receber mensagens de ‘bom dia’ deles, porque sucesso, para mim, é ser relevante na vida de quem eu amo”, afirma. 

 


Para ela, o preço do sucesso se chama responsabilidade. “Ninguém a avisa que esse é um contrato silencioso que você faz com a vida. Quanto maior a oportunidade, maior a obrigação de usá-la bem.” Simples e direta, diz que trocou a soberba de buscar todas as respostas, pela humildade de admitir “não sei” e pedir ajuda. 

 


Descrente da divisão de gêneros, Josy acredita que a liderança transformadora é aquela onde todos cooperam, que une o melhor de cada um, soma, acolhe. “Sonho em deixar a certeza de que é possível, sim, transformar uma região inteira através da educação e da cultura; que um ambiente digno, com oportunidades, pode mudar o destino de uma criança; e que uma empresa para ser próspera deve ser, ao mesmo tempo, profundamente humana. É um legado de esperança”, admite.


Para Josy, o segredo de ser mulher é ser inteira em cada momento. “Quando estiver com seus filhos, esteja com eles de verdade. Quando estiver no trabalho, mergulhe de cabeça. Não se culpe por não ser perfeita. Abrace suas dúvidas, porque elas fazem você evoluir”, finaliza.

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