especial por Marcos Fava Neves (04/05/12)
O Código Florestal vem sendo discutido em muitas audiências há anos e foi finalmente aprovado pela sociedade, representada por seu Congresso. Muitos brasileiros e parte da imprensa aproveitaram o momento para contrapor a agricultura com o ambiente, gerando um grave dano à imagem da agricultura e promovendo a discórdia.
O mais recente caso, estimulador deste texto, é o debate editado pelo respeitável jornal Valor Econômico (04/05/12), consolidado por três jornalistas. Explicando ao leitor que não teve acesso ao conteúdo, é feita uma chamada na capa com o título “empresários defendem veto a Código Florestal” e a matéria é um debate de respeitáveis executivos e cientistas com trabalhos na área econômica, social e ambiental, advindos de uma Fundação de preservação de matas, uma empresa de cosméticos, de embalagens cartonadas, uma produtora de papel e uma telefônica, além de um cientista da USP.
Sintetizo minha análise em 4 blocos: as principais proposições vindas deste debate; os principais aprimoramentos necessários às visões; as contribuições à imprensa e as considerações finais.
Entre as principais proposicões, temos interessantes ideias. Destacam-se as oportunidades que se abrem ao Brasil de liderar uma nova pauta da economia verde, do menor carbono, de certificações e pagamentos por serviços ambientais. Levantam a ideia de que é necessário produzir mais com menos recursos, reduzir as perdas (estimadas em mais de 20% da produção) e acreditam que com gestão a produtividade pode aumentar. Temos que pensar 100 anos à frente.
Também aparecem a importância de se recompor o orçamento da EMBRAPA e de outros órgãos de pesquisa, sair da clivagem “desenvolvimento x sustentabilidade” e “natureza x urbano”. Chamam a atenção para os gargalos de infraestrutura, para a necessidade de incentivos na correção do que foi feito de errado em desmatamento.
Utilizar a Amazônia como uma fonte de riquezas da biodiversidade lembrando do direito de pessoas que vivem nestas regiões terem atividades econômicas e desenvolvimento. Lembram também da necessidade de se votar medida provisória que dá acesso a patrimônio genético, a necessidade de se extrair mais renda da visitação das áreas preservadas, se recuperar mais as áreas degradadas e investir no turismo. Destacam-se também as iniciativas de criação dos corredores de biodiversidade entre áreas de reserva legal e APPs.
A segunda parte deste meu texto são os aprimoramentos de visão necessários, por aparecer, em alguns momentos, um desconhecimento do que é o agro brasileiro. Serão apresentadas aqui as frases colocadas no debate, em itálico, sendo algumas agrupadas, e as minhas observações logo após.
“...O código deixou o Brasil na era medieval...”, “...o texto que foi votado é terrível...”.
Esta visão é parcial. Existem melhorias reconhecidas por cientistas no documento e ele tem benefícios de eliminar uma grave insegurança jurídica que assola as propriedades.
“...A expansão da área agrícola é única solução proposta e não se fala uma palavra de produtividade...”; “...O Brasil vai perder o jogo da produtividade, da tecnologia e da inovação e aí vem a solução fácil: derruba mais um pouco de floresta e aumenta a área plantada...”; “...não precisa derrubar mais nada... tem muita área já derrubada...”.
Estas colocações não estão bem feitas. Os cientistas e agricultores brasileiros vêm lutando ferozmente pelo aumento da produtividade. Enquanto no mundo cai a produtividade, no Brasil ela cresce quase 4% ao ano e 50 milhões de hectares foram poupados graças a este esforço. Também é um equivoco achar que precisamos derrubar mais árvores para expansão da produção. Existe parte dos 200 milhões de hectares de pastagens que podem ser usados para futuras áreas agrícolas.
“...A questão dos alimentos não é de produção, é de escoamento...”.
Sem dúvida há muita perda na logística, mas aqui também existe um desconhecimento do que acontece no mundo asiático e africano que cresce a mais de 6% ao ano. A FAO estima que teremos que dobrar a produção em 30 anos, graças ao aumento da população, urbanização (90 milhões de pessoas por ano vão para as cidades), distribuição de renda, biocombustíveis (nos EUA usam 130 milhões de toneladas de milho) e outros fatores. O Brasil é primordial para isto, dito pela UNCTAD e FAO (ONU).
“...Vamos para a Rio + 20 com cara de vergonha...”.
Como já escrevi em outros textos, a vergonha dos cientistas e participantes brasileiros na Rio + 20 não será com o Código Florestal, mas sim em explicar ao mundo porque destruímos o combustível renovável mais respeitado, que é o etanol de cana, aqui dentro do Brasil. É a pergunta que me fazem cientistas internacionais.
“...Estamos exportando commodities de baixíssimo valor agregado...”.
Nesta colocação temos um grave equívoco, até uma ofensa aos produtores e industriais brasileiros. Existe enorme conteúdo tecnológico trazido pelos nossos cientistas dentro de um grão de soja, de café, de um litro de etanol, de suco de laranja, de celulose, de açúcar, de carne bovina. Fora isto, estamos cada vez mais exportando comidas prontas e embaladas.
Os termos de troca são cada vez mais favoráveis as commodities. Vivemos a era das commodities, e chamar nossa pauta de baixo valor agregado chega a ser ingênuo.
“...O projeto votado agora vai contra a maioria da população, que não quer hoje o desmatamento, não quer a redução da floresta nas margens dos rios...”; “...tem quatro brasileiros de cada cinco que estão a favor da Presidente para o veto...”.
Eu desconheço estas pesquisas, e também não creio que foi aprovado um Código Florestal que estimula o desmatamento de novas áreas. É uma mensagem errada que está se passando a população. O agro para se desenvolver, não precisa desmatar.
Na terceira parte deste meu texto tenho algumas contribuições a apontar à imprensa. A primeira vai no sentido de, em debates, equilibrar as opiniões. Neste caso, chamar pessoas que acham que o Código Florestal, com todos os seus problemas, representou avanços ao Brasil. Poderiam ter sido convidados representantes da ABAG, do ICONE, da Cooxupé, da Coamo, da Cosan, da Bunge, da BRF, do Congresso (Deputados Aldo Rebello ou Paulo Piau), de Sindicatos de Produtores, de Trabalhadores.
A segunda é que a manchete dada reflete uma generalização de algo que não é generalizável. Uma pessoa que apenas lê “empresários defendem veto a código florestal”, e boa parte do Brasil lê apenas manchetes, é levada a pensar que houve ampla pesquisa quantitativa e que o setor empresarial brasileiro é contra o Código, quando na verdade isto é fruto do debate de apenas 6 pessoas. Isto as vezes acontece na imprensa, um título (manchete) que tenta generalizar algo que não é generalizável. É preciso cuidado nisto.
A ilustração principal da matéria é uma árvore sendo cortada com uma motosserra. Para sermos mais equilibrados, melhor contribuição seria se a matéria tivesse o título de “sugestões de aprimoramentos ao código” e a imagem fosse propositiva, com equilíbrio de produção e lindas matas, e são inúmeras as imagens no Brasil de propriedades agrícolas certificadas internacionalmente. Apresentar uma mortal imagem de árvore com motosserra foi danoso ao agro. É necessário parar com o “ruralistas x ambientalistas”, esta contraposição é danosa ao desenvolvimento equilibrado do Brasil e é estimulada pela própria imprensa.
Como conclusões, por mais que este processo seja criticado, o código foi democraticamente aprovado pela sociedade brasileira e seus representantes, no Senado e na Câmara.
Na minha singela opinião, pressionar a Presidente para vetar este Código é uma afronta à sua pessoa e à democracia. Dizer que é a principal decisão de seu Governo, ou frases do tipo “vou cair da cadeira se a presidente Dilma não vetar” ou “Dilma escreve o nome dela na história de uma maneira ou de outra: com tintas vermelhas ou tintas azuis” não contribuem.
Este código deve ser aprovado e iniciarmos já os debates para uma próxima versão mais moderna e contemporânea, para ser novamente aprovada daqui 5 ou 10 anos. É preciso avançar sempre, debater sempre e respeitar sempre.
Finalizo dizendo que tenho oportunidade de viajar uma vez por semana e fazer pesquisa com produtores e industriais do setor agro em todos os cantos do Brasil. É necessário sairmos dos nossos escritórios seguros e refrigerados dos grandes centros urbanos, ir ao campo e ouvir esta gente. É destas viagens e pesquisas que vêm nossos textos e livros propositivos.
Conversar, principalmente escutar e sentir a luta do nosso produtor contra o arcaico sistema trabalhista, tributário, logístico, ambiental, sua luta contra a taxa de juros, a falta de crédito, o câmbio, as intempéries climáticas, sua luta contra as pragas e doenças e ouvir atentamente os casos de assaltos e violência aterrorizando as famílias do campo.
Lembrar que o jornal Valor do mesmo dia coloca em seu editorial a preocupação com a rápida deterioração da balança comercial brasileira. Vale ressaltar que esta gente da agricultura vai exportar, em 2012, US$ 100 bilhões e importar US$ 20 bilhões, deixando um saldo de US$ 80 bilhões ao Brasil.
Em 2000 exportávamos US$ 20 bilhões no agro. A exportação cresceu 5 vezes em 10 anos. Renomadas revistas mundiais com a Economist, a Time, Chicago Tribune, Le Monde deram enorme destaque e chamaram isto de silenciosa revolução do campo brasileiro. Quem viaja sabe que temos muito poucos setores admirados lá fora, e este é um setor que joga na primeira divisão mundial.
Se o Brasil vai fechar 2012 com um saldo de apenas US$ 15 bilhões, uma conta simples mostra que sem esta gente do campo, a balança brasileira pularia do saldo de US$ 15 bilhões para um deficit de US$ 65 bilhões. Cairia por terra o Real, voltaria a inflação, cairia a arrecadação de impostos e desapareceriam milhares de postos de trabalho. E também precisaremos devolver nossos microcomputadores, tablets, carros, e todos os outros 25% dos produtos que consumimos, que são importados. Vai também faltar dinheiro para usar perfumes, telefones, cadernos, livros e produtos com embalagens cartonadas.
É preciso respeitar quem traz o caixa do Brasil, quem traz a renda do Brasil, que depois é distribuída fartamente em todos os cantos. É injusto associar esta gente a desmatamento, a motosserra, a destruição, com opiniões dadas sem maior fundamento.
O Brasil terá nos próximos 20 anos a maior e melhor agricultura do mundo, trabalhando dia e noite para ser a mais sustentável nos pilares econômico, ambiental e social. O mundo implora ao Brasil para atender à explosão de demanda por alimentos e bioenergia. Podemos tranquilamente exportar US$ 200 bilhões em 2020 e US$ 300 a 400 bilhões em 2030. Vamos deixar esta gente do campo trabalhar e tentar ajudar.
Temos que aumentar a produtividade, plantar em novas áreas de maneira sustentável, investir em pesquisa, ciência e inovação e caminhar para construir esta agricultura, este “agro-ambiental”, com ideias, nos desenvolvendo com preservação e, com isto, preservando nosso desenvolvimento.
O verdadeiro e mais forte “código” será cada vez mais dado pelo mercado consumidor, fortalecido pelas novas mídias sociais e que caminha rapidamente para não aceitar produtos que não obedeçam certificações respeitadas internacionalmente.
Gerar a discórdia e desrespeitar o agricultor, que é quem coloca a comida na mesa e enche o nosso bolso de dinheiro não deve ser um objetivo dos verdadeiros brasileiros.
MARCOS FAVA NEVES é professor titular de planejamento e estratégia na FEA/USP Campus Ribeirão Preto, Chefe do Departamento de Administração e coordenador científico do Markestrat. Tem 25 livros publicados em 8 países.
Special for China Daily, by Marcos Fava Neves, on 04/05/12
Nutreco is a Dutch based multinational company operating in the feed industry, and in 2012 this company launched the report called “Nutreco Feeding the Future: How we can contribute to feeding 9 billion people in a sustainable way: Vision 2020”. This article was written to share with China Daily readers my impressions studying the document, another example of sustainability.
The company aims to create value in several different activities. Nutreco states that they “aim to become the global leader in animal nutrition and fish feed, delivering innovative and sustainable nutrition solutions”.
It is clearly seen when reading the report, an integrated chain approach. For the company, the conditions of success include engaging people from inside and outside. “Every change depends on the efforts and commitment of one and more individuals… Furthermore we have to keep our customers and end users in mind of what we do and helping them to be more productive and environmentally and socially responsible.
Nutreco divides the 2020 vision in four major areas: ingredients, operations, commitment and nutritional solutions. Each major area has 4 sub-divisions, summarized here
Ingredients sustainable sourcing: the objective here is to build value sourcing through third party sustainable systems endorsed by vendor policies. The stimulus came from a pressure to reduce negative impacts over biodiversity, social and environment, coming from supplier activities. The actions will include round table initiatives, auditing, suppliers engagement activities, extend supply chain coordination, promote demand for responsible ingredients, communicate to suppliers and measure the results.
Ingredients sustainable partnerships: increase and strengthen sustainable partnerships and supply chain projects. One of the future challenges is the cooperation among business, Government, knowledge centres and NGO’s, boosting innovation, sustainability and cost reduction. Company will improve partnerships, classifying supplier base, evaluate supplier classification and building sustainable supply chain projects.
Ingredients flexible formulations: build value via reducing dependency from scarce ingredients. This will be done with strategic analysis of long-term ingredient trends, research for alternatives and develop scientific position papers.
Operations reducing the environmental impact: value will be created by reducing by 50% carbon footprint in all operations till 2020. This will be reached with an internal energy policy for the factories, transport, waste and water management.
Operations to improve feed to food quality and safety: create value, taking advantage of the growing worldwide demand for quality and safety, resulting in new policies and regulations. This will be done via the specific Nutrace programme with standards and protocols (more information on the web of Nutreco).
Operations to improve working environment: creating value via employee satisfaction and labour market position. Build internal surveys and doing benchmarks worldwide to follow employee engagement.
Nutritional solutions that are sustainable: the aim is to create value till 2020 when sustainability will be fully integrated within the innovation process increasing the proportion of the portfolio having specific sustainability benefits. This will be done quantifying sustainability, auditing and translating these benefits to marketing messages.
Nutritional solutions via farm and feed performance: create value, enabling farmers to improve performance with predictive farm models and nutritional solutions that improve production efficiency and reduce emission levels. This will be done measuring availability, quality and usage of nutritional farm models, improvement of feed efficiency on the farms and reduction in emission levels.
Nutritional solutions via animal and human health: value will be created by an effort to provide alternative technologies that improve animal health and performance supporting customers needs to reduce antibiotic use.
Commitment and employee engagement: motivate employees to the challenge of feeding nine billion people in 2050, in a sustainable way. This value will be created using a system for internal engagement activities, integrating this as a central point for evaluation and reward systems.
Commitment and stakeholder engagement: creating value via strengthening the company’s position in multi-stakeholder debates and initiatives around the sustainability challenges of the industry. There is an increasing level of cooperation and partnerships within the food chain and stakeholder organizing conferences, position papers, information flows, reputation surveys and other ways to engage.
Commitment and community development: create value enabling small farmers to raise productivity via knowledge sharing. This will be done by the community development strategy, redefining expectations of local communities and continue to refine this project with new strategies and criteria.
Nutreco’s 2020 vision is a nice case to see how companies are moving to create and share value and improving sustainability towards the 9 billion people planet.
The author is professor of strategic planning and food chains at the School of Economics and Business, University of Sao Paulo, Brazil (www.favaneves.org) and international speaker. Author of 25 books published in 8 countries.
Especial para Folha de São Paulo, Caderno Mercados, 28/04/12
por Marcos Fava Neves
O Brasil tem quase 210 milhões de cabeças de gado, em mais de 200 milhões de hectares de pasto.
Em dez anos, a produção de carne bovina passou de 3 para 10,3 milhões de toneladas, o que possibilitou ao país exportar 1,23 milhão de toneladas para mais de 140 países liderando, com 20% de participação, as exportações mundiais.
Em 2011 os embarques brasileiros de carne "in natura" somaram US$ 4,2 bilhões, um crescimento de 8% em relação a 2010.
Usando os dados de 2010, a cadeia gera uma movimentação financeira de US$ 167,5 bilhões e arrecada US$ 16,5 bilhões em impostos agregados, abastecendo cerca de 50 segmentos industriais com matérias-primas.
Somando os empregos diretos, indiretos e induzidos, a cadeia oferece 6,32 milhões de oportunidades.
Os pecuaristas representam um mercado anual de US$ 11,39 bilhões às empresas de insumos. Já os frigoríficos faturaram com carne e outros produtos cerca de US$ 42 bilhões, sendo 89% no mercado interno e 11% provenientes de exportações.
Cerca de US$ 1,1 bilhão foi obtido com as vendas de couros no mercado interno e as exportações geraram um faturamento para os curtumes de US$ 1,7 bilhão.
Os dados fazem parte de uma ampla pesquisa da cadeia produtiva da carne bovina, realizada em parceria entre a FEA-USP, a Markestrat e a Scot consultoria, com financiamento da Abiec (associação dos exportadores de carne).
Inovações trazem um salto tecnológico na pecuária. Os desafios são ligados a disseminação de tecnologia com foco no aumento de produtividade, melhoria da qualidade e redução dos custos de produção e melhoria na coordenação da cadeia.
As oportunidades são grandes. O Brasil é líder mundial atuando em menos da metade do mercado global. Não vende carne "in natura" para americanos e japoneses, que estabelecem barreiras técnicas e sanitárias, e os EUA mais uma vez apresentaram um caso de vaca louca.
Mercados emergentes são muito promissores. Os chineses ainda consomem 4,7 kg/habitante/ano, ante 46 kg no Brasil.
O Brasil cresce ao inovar na diferenciação da carne bovina no exterior, criação de marcas e selos, garantindo oferta de produtos de maior valor agregado, com certificação e rastreabilidade, informação detalhada sobre criação e nutrição, emissões realizadas e mitigadas, entre outras questões de interesse desse consumidor. É o boi brasileiro conquistando o mundo e trazendo os agrodólares do desenvolvimento.
Special for China Daily, 17/04/12 by Marcos Fava Neves
This article was written to share with China Daily readers my impression studying the document of McDonalds called “Best of Sustainable Supply 2012”. This initiative was a competition launched by the company, stimulating suppliers to submit the best practices done. 400 projects were submitted and 51 selected by six company and NGO experts based on criteria of measurable results and innovation. It is a value creating and sharing project.
The areas where projects were done to creat and share value were: employee wellness, waste, climate/energy, animal-welfare, water, raw materials and community impact. Here I summarize findings in each area.
Employee wellness: value was created based on improving working conditions, where freedom, security, equity and dignity were guaranteed. Also criteria for compensation and benefits were considered. In the evaluation of McDonalds, these projects went beyond the “McDonalds Supplier Code of Conduct” promoting real benefits in creating value via differentiation. Among the wining initiatives were an educational program designed by a supplier in Thailand to help its employees to complete their primary, secondary and even higher education, with more than 2100 employees participating since the beginning (1994). Also initiatives regarding employee’s health plans in South Africa, wellness programs with fitness-centre and weight watchers within the company and opening channels for better employee communication.
Waste: food production operations can generate large amount of waste within the production and packaging process. Value was created within McDonalds suppliers via eliminating waste sent to landfill via control of production processes and increasing recovery rates. Several suppliers had initiatives in the field, some of them approaching policies named “reduce, reuse and recycle”, reducing excess materials in packaging, cutting delivery trips, the usage of recycled plastic pallets, recovering animal grease from dissolved air flotation units and collecting restaurant waste.
Climate/Energy: in this topic the efforts of suppliers were to identify the sources of greenhouse gas emissions for a reduction in carbon footprint. To achieve these goals, the projects focused in increasing energy efficiency and the use of renewable sources of energy. One of the projects started with a “real time” energy management, other stimulated a program for energy-saving ideas among employees in order to raise awareness, use of flowing water and solar structures to generate electricity, transforming waste-water to biogas and using biodiesel in truck engines.
Animal Welfare: the efforts were to create value via proactive steps for the welfare of animals including responsible use of medication, growth promoters and genetic selection, and improving nutrition, husbandry and well being of animals in slaughter process and also within the several transports done. The initiatives were done in animal welfare training, thermal comfort for poultry and best practices sharing.
Water: value creation initiatives in water were related to improving water efficiency, reducing water pollution and creating policies for wastewater treatment and reuse. The best were the projects to raise awareness, to collect ideas among employees, have more efficient equipment for water treatment, wastewater recycling, water consumption in ice machines and the creation of specialized cross-functional teams that visited factories and discovered opportunities for water saving policies.
Raw Materials: value also could be created with the McDonald’s suppliers raw materials initiatives, really moving backwards at the supply chain (suppliers of the suppliers). The goals were to include agricultural working conditions, soil fertility, erosion and contamination, promote responsible use of chemical products, preserving biodiversity. McDonalds suppliers worked offering free programs for carbon assessment in their suppliers identifying potential saving initiatives and having innovative projects for carbon emission reduction. Plastic bottles produced with ethanol, micro-irrigation, safe handling of chemicals, package recycling, integrated pest management and programs for soil recovery were the initiatives. McDonalds suppliers worked together with their raw materials suppliers towards these value creation activities, building a real integrative chain approach.
Community Impact: this was the final possibility considered for value creation. Projects demonstrating capacity to give value back to communities where they are located via volunteer efforts, investment in infrastructure and charitable organizations. This was done supporting medical programs, creating nutrition for orphanage, supplying clean water for villages, teaching children, improving air quality, offering free technical assistance, recycling uniforms as cloths and programs for fighting hunger.
Several learning lessons came from this initiative of a leading foodservice company creating value via sustainable supply. The most important is the creativity to implement a program stimulating suppliers to compete and submit the projects for evaluation and then communicating the results, spreading knowledge and benchmarks. Several nice ideas were given in this real integrative chain approach for value creation and sharing.
The author is professor of strategic planning and food chains at the School of Economics and Business, University of Sao Paulo, Brazil (www.favaneves.org) and international speaker. Author of 25 books published in 8 countries.
O estadio de Itapolis e pequeno, e hoje o Oeste joga com o Corinthians completo... No estadio Santa Cruz, que esta ocioso neste final de semana, um jogo de uma unica torcida, iriam pelo menos 30 a 35 mil pessoas, movimentando os restaurantes, hoteis, bares, ambulantes, postos de combustivel em Ribeirao Preto e gerando renda ao Botafogo, pelo aluguel do estadio. Ribeirao Preto fica a 120 km de Itapolis. O Oeste jogara em Presidente Prudente, a 340 km de Itapolis.
Com a palavra, a Prefeita de Ribeirao Preto e o Presidente do Botafogo.
MARCOS FAVA NEVES, ESPECIAL PARA A FOLHA DE SÃO PAULO, 31/03/12
A análise de uma década na cadeia de suínos mostra importantes transformações que dinamizaram o setor, abrindo caminho para uma vigorosa expansão na carne que representa 40% da produção e consumo mundial.
Com 3,4 milhões de toneladas, o Brasil tem quase 4% da produção do planeta, quarto maior produtor e exportador. É um caso de sucesso do agronegócio, levantando as exportações anuais de US$ 100 milhões para US$ 1,4 bilhão em dez anos.
É uma cadeia de mais de 50 mil suinocultores e uma indústria líder mundial, empregando 1 milhão de pessoas. As inovações em governança interna, a busca por novos mercados e a remoção de barreiras para o exportador são destaques importantes desse setor.
Uma porção de cerca de 60% do mercado mundial, principalmente a parte mais rentável (Japão, EUA, Coreia, México), está fechada para exportações do Brasil, que assim acaba ficando muito dependente dos russos, um mercado bastante incerto.
Um exemplo de agregação de valor no setor ocorreu em Ponte Nova (MG). Um grupo de 42 suinocultores investiu R$ 80 milhões em um frigorífico, com elaboração de 290 produtos processados, arrecadação de R$ 4,5 milhões de impostos por ano e geração de salários para 850 pessoas.
Pesa contra o setor produtivo, no entanto, o aumento dos preços dos grãos, além dos custos que se elevam no Brasil, advindos das questões trabalhistas, ambientais, de logística, energia, tributárias e de custo de capital (juros). O custo no Brasil pulou de US$ 0,90/kg para US$ 1,44/kg em dez anos. Nos EUA, subiu de US$ 1,29/kg para US$ 1,40/kg no período -o Brasil ficou mais caro que os EUA.
O aumento dos custos não permite margens para a sustentabilidade econômica do produtor, tendo inclusive levado a tensões no modelo de integração do Sul do Brasil, um dos mais admirados e que possibilitou ao país ter empresas lideres mundiais.
O setor produtor integrado vem clamando por um "Consesuínos", tal como o Consecana (conselho dos produtores do setor de cana) e por preços remuneradores.
A concretização da cadeia de suinocultura deve, no entanto, caminhar no sentido de remover essas travas. Há um mercado a ser conquistado e o Brasil tem empresas e organizações habilitadas.
Special for China Daily, March 31st, by Marcos Fava Neves
The objective of this article is to share with China Daily readers some important changes in the macro-environmental variables that are affecting and may affect companies operating in food and agribusiness.
I will use the traditional PEST analysis to summarize the major thoughts. Just remembering, the PEST (or STEP) analysis is a traditional tool to understand macro-environmental changes. The “P” represents the political-legal environment (institutional environment). “E” is the economic and natural environments. “S” is for the sociocultural environment and finally, “T” is for the technological environment. These four environments help to organize the variables and are a first and very important “step” in strategic planning processes.
Starting with the political-legal environment, we may point that instability in Iran, North Korea and other middle-east and northern African countries are affecting oil prices, together with the growth in oil consumption coming from emerging economies. This will help to leverage even more the biofuel industry, since high oil prices make the economic benefits, and not only environmental benefits, to boost investments and also stimulate Governmental´s blending biofuels into gasoline mandates.
Lower interest rates in Europe driving are driving enormous flow of resources to emerging economies, and these are suffering with the valuation of their currencies, eroding their competitiveness. Also some expected reforms are not progressing in important food/agribusiness producing countries bringing cost increase in several commodities.
Confusing tax management policies in developing countries are also happening, with new protections and market access limitations. We face increasing risks of interference (regulation), being examples the limitation in food advertisement to kids and regulation towards international investments in land. In developed economies, we see shorter federal budgets as an argument to remove support for some less efficient agribusiness industries and even farmers support programs.
The economic and natural environment shows that this year and probably in this decade, economic growth will be coming mostly from emerging countries (5,5% average of GDP growth in 2012, and 1,5% growth in developed economies) due to a larger pace of income distribution in populated emerging economies, the faster than expected recovery of the USA and Europe still not growing.
Exchange rate policies are being more used to affect competitiveness of regions and financial flows of capital and investment funds with attractiveness to invest in food and agriculture brings a new environment of capital availability and increasing risks.
Since there is an increasing influence of weather impacts in some regions, we see production regions switching, also caused by land prices and labor. New agricultural frontiers are being developed by local or international companies, following the Governmental incentives for value capturing in producing regions (more processing and other). Also in the economic environment, bigger environmental pressure will increase production costs and we see more initiatives of buyers increasing coordination over suppliers (farmers).
The sociocultural environment shows some interesting changes. Migration and urbanization leveraging the growth of processed food, the protest and mobilization movements are increasing pressure over inclusion, thus signalizing companies that this can be an opportunity within the supply chain. Risks of consumer movements are getting bigger for companies. The demographic trends of reduction on family size and people living alone continue to boost foodservice and ready to eat markets. There is also an increasing concern about food waste, and we see growing debate in this field.
Consumers are also demanding more information about the story behind production (link to farmers), more direct trade and to value what is “local”. Natural and healthy movements continue strong, increasing demand for certifications of products, companies and food chains and there is a larger acceptance of biotechnology, with focus over genetically modified products.
Another important point is an increasing pressure done by society and buyers towards protection of some industries. As an example, several sugar buyers in the USA are protesting against high import taxes and other support programs for local sugar industry, with higher costs than international markets.
Finally, within the technological environment there is an increasing pressure over natural resources and we are entering the era of commodities. A lot of investments and the development of biotech and nanotechnologies are happening, and in the communication side, we feel the rapid transformation of society with the digital world and new media improving the speed of communication. The development of systems speeding up information availability is facilitating the tracing process, helping to identify products sources and other relevant information. Technologies that allow to recycle and re-use have higher value than before.
These were some of the changes coming from recent discussions with business managers and executives. These are facts that will bring specific impacts to the industries and desiring strategies, or acts of food chain participants in their planning processes.
The author is professor of strategic planning and food chains at the School of Economics and Business, University of Sao Paulo, Brazil (www.favaneves.org) and international speaker. Author of 25 books published in 8 countries.